NOSTRADAMUS, O VISIONÁRIO

Um dos mais famosos visionários da Era de Aquários, foi Miguel de Nostradamus, um francês, nascido em St. Remy, 11 anos após o descobrimento da América, por Cristovão Colombo, ao meio-dia de 14 de dezembro de 1503, pelo calendário antigo, em St. Rémy de Provence, conforme narra Erka Cheetham, em seu livro “As Profecias de Nostradamus”. 

Sua família de origem judia e de linhagem simples, se converteu ao catolicismo quando Nostradamus tinha seus nove anos de idade. Era o filho mais velho. Tinha quatro irmãos. Seu poderoso intelecto evidenciou-se logo na infância, e sua educação foi confiada a seu avô, Jean, que o iniciou em latim, grego, hebraico, matemática e na astrologia. Quando o avô morreu, o rapaz retornou à casa de seus pais e seu outro avô procurou continuar sua educação. Ainda jovem, Nostradamus defendeu a esfericidade da Terra, que girava em torno do Sol, proposta por Corpénico 100 anos antes de Galileu ser condenado por suas convicções. Seus pais preocupavam-se com as suas atitudes, pois vivia-se em plena inquisição, e como ex-judeus, eram por demais visados. Assim, enviaram-no a Montpellier em 1522, para estudar medicina. Tinha 19 anos e obteve o diploma de bacharel em três anos, com extrema facilidade. 

Em 1525, Nostradamus ganhou grande reputação como médico. No ano de 1534, casou-se e teve um filho e uma filha. Mas, uma epidemia retirou-lhe a mulher e os filhos. Neste período, foi considerado o “doutor milagroso” no combate à “peste negra”, o que o levou à condição de médico do rei. 

Nostradamus desenvolveu a sua paranormalidade, com previsões do futuro num período de grande censura da Igreja Católica. 

Conta-se que um certo senhor de Florinville, que conversava com Nostradamus sobre profecias, resolveu testá-lo. Interrogou-o sobre o destino dos dois leitões de seu quintal. Nostradamus previu que o senhor comeria o preto e o lobo o branco. Imediatamente de Florinville ordenou ao cozinheiro que matasse o leitão branco para o jantar daquela noite, no que foi obedecido. No entanto, um filhote de lobo que estava sendo criado pelos empregados roubou a carne. Assustado, o cozinheiro matou o leitão preto e serviu-o no jantar, tendo o senhor de Florinville anunciado a Nostradamus que comiam o leitão branco. Ante à negativa do profeta, o cozinheiro foi chamado e acabou confessando o incidente. 

 Nostradamus era um homem profundamente religioso de crente; o que não o fez ignorar as proibições eclesiásticas. Assim as suas previsões, eram codificadas em poemas,  denominados de Centúrias. Redigiu inicialmente sete Centúrias, resumindo os acontecimentos dos séculos futuros. Cada Centúria compunha-se de 100 estrofes de quatro versos. A Sétima Centúria possui apenas 44 quadras. 

No entanto, as eventuais falhas ocorridas em suas previsões devem ser atribuídas aos cálculos astrológicos que determinam as datas, pois 400 anos após as suas profecias, o mundo mudou, com conceitos bastante diferentes. E mudou, principalmente, a contagem do tempo. 

 Em 1582, foi adotado o calendário gregoriano, organizado por ordem do papa Gregório XIII. O tempo então era medido por ampulhetas ou precários relógios mecânicos. No século 16, a falta de relógios de precisão dificultava a navegação, impedindo que se conhecesse até a longitude das embarcações. Esse problema só foi resolvido com a criação do cronômetro, em 1736, pelo inglês John Harrison (1693-1776). 

 O calendário gregoriano, contado a partir do nascimento de Jesus Cristo, foi resultado da reformulação do calendário juliano, criado por ordem de Júlio César, em 45 a.C. Uma de suas primeiras dificuldades está na definição do ano exato do nascimento de Cristo. Investigações astronômicas sugerem que ele possa ter nascido até sete anos antes do que fixa o calendário. A pista para estas investigações passa basicamente pela estrela de Belém, que teria guiado os reis magos. Os astrônomos sugerem que ela possa ter sido um cometa ou a conjunção de dois planetas, resultando num corpo muito brilhante. A data de 25 de dezembro para o nascimento de Cristo é ainda mais arbitrária, pois satisfaz uma necessidade de fé sem nenhum respaldo científico. 

No entanto, voltemos a Nostradamus. Como ele mesmo admitia, como qualquer outra pessoa, não estava livre de cometer erros. Outro fator que pode levar a erros era a sua capacidade, com os conhecimentos da época, de interpretar explosões atômicas, mísseis, naves espaciais e armamentos sofisticados de guerra aérea e submarina. 

Em quatro séculos, houve muita especulação em torno das profecias de Nostradamus. Algumas foram, às vezes, interpretadas de maneira absurda. Quem ler as Centúrias corre o risco de interpretá-las segundo os seus conceitos. Toda a tradução para uma das línguas modernas, certamente será uma versão sujeita a erros, provenientes de falsas e incompletas interpretações, o que, inegavelmente comprometeu a imagem do profeta no decorrer do tempo. 

Kurt Algeier, em seu livro “As Grandes Profecias de Nostradamus”, esclarece que as reedições das profecias se sucediam. Os editores buscavam textos antigos em almanaques, que acrescentavam às Centúrias como presságios, anunciações, predições ou vaticínios. Não tardaram a surgir também “profecias secretas”, uma grosseira falsificação. 

Nostradamus previu a própria morte. Em 1º de julho de 1556, ele passou a noite conversando e se divertindo com o amigo Chavigny. Na despedida disse: “Adeus amigo, amanhã, ao raiar do Sol não estarei mais vivo”. Chavigny tomou aquelas palavras como brincadeira, mas na manhã seguinte, Nostradamus levantou cedo, com grande dor no peito. Sentou-se no banco junto à cama e caiu morto, enfartado. 

Apesar de não haver precisão nas datas, as suas previsões parecem estar se concretizando, como o descobrimento do planeta Netuno; o nascimento de Hitler; a Segunda Guerra Mundial; a construção dos campos de concentração e dos crematórios; a morte de Hitler, após seu casamento; a fundação do Estado de Israel; a morte do presidente norte-americano, John Kennedy; os americanos no Vietnam; a morte do Papa João Paulo I; a vitória de Komeini sobre o xá Reza Parlevi, do Irã; a piora das condições meteorológicas (efeito El Nino), terremotos e enchentes nos tempos atuais; o atentado ao Papa; a Guerra no Golfo; e a reunificação da Alemanha, entre outras coisas.